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Época de Eleição

 

 

Hoje vou abordar um tema sensível. A disputa eleitoral chegou novamente e, para ser franco, insistir no óbvio já não faz sentido. As cartas estão expostas, e nenhuma alternativa oferece um projeto de governo consistente. É a mesma engrenagem desgastada que gira desde 15 de novembro de 1889.

Naquele dia, tínhamos um marechal — Deodoro da Fonseca — à frente do golpe militar que depôs Dom Pedro II e proclamou a República. A história seguiu seu curso, mas o país nunca mais foi o mesmo. Iniciamos outra caminhada, marcada por lutas, discórdias, ideologias, suicídios e cassações. Entre tropeços e remendos, fomos nos acostumando a viver entre o futebol, o samba, a cachaça e certas práticas menos confessáveis.

E, se o assunto for polêmica, o terreno é tão amplo quanto um campo de futebol: aqui, derrota nunca é aceita; se ela veio, é porque alguma coisa — inevitavelmente — estava errada.

Mas o que pretendo dizer é simples: apesar da instituição do voto secreto — que de secreto tem apenas o nome e a lei que o sustenta — ainda guardo uma esperança. Que no dia 4 ou 25 de outubro sejamos, enfim, comprometidos com nossos próprios ideais, e não com discursos vazios de palanques abarrotados de gente. Que as velhas e remoídas práticas eleitoreiras sejam, de uma vez por todas, desprezadas.

Talvez seja pedir demais. Talvez seja só o mínimo. Mas é isso que ainda me faz acreditar no valor do voto — e, a quem discorda, ofereço apenas a certeza de que a democracia se sustenta justamente no contraste das ideias.

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