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O Lado Invisível de Gramado


Estive há poucos dias em Gramado. Retornar a essa cidade glamourosa é sempre uma experiência incrível. Sua aparência europeia, com construções que remetem às regiões italianas e germânicas — ainda que muitas outras etnias também tenham deixado sua marca por ali — sempre me encantou profundamente.

Mas desta vez resolvemos inovar. Eu e minha companheira de toda a vida organizamos um roteiro pela Gramado invisível, aquela que não aparece nas propagandas nem nas filas intermináveis dos pontos turísticos tradicionais. E foi uma surpresa arrebatadora.

Caminhamos por estradas rurais de paisagens deslumbrantes, onde o burburinho da cidade grande simplesmente não existe. Visitamos lugares que extasiam a retina: cascatas escondidas, vales silenciosos, paredões que parecem não ter fim, rios que serpenteiam entre matas e pequenas propriedades. Uma vida rural pulsante, ali, coladinha à Rua Coberta — quase inacreditável.

Nunca havíamos imaginado que Gramado oferecesse algo além das atrações milimetricamente planejadas, das filas, dos ingressos, da multidão apressada que atropela tudo e todos como se estivesse fugindo de uma catástrofe. Brincadeiras à parte, essa outra Gramado merece ser descoberta. São paisagens inimagináveis, e o ar puro que invade o corpo traz uma sensação de conforto difícil de descrever.

Tudo valeu nesses dias por lá. Apenas uma pequena observação: a gastronomia no Centro, com seus altos custos para cardápios triviais. Excetuando os tradicionais fondues, galetos e cafés coloniais — que já não são novidade para quem vive na região — poucas opções realmente regionais aparecem no radar do visitante. E é justamente por isso que abro este parêntese: para mostrar que existem alternativas fora do grande centro.

Caminhe pela zona rural. Respire ar puro. Encante-se com a natureza.

Isso, sim, não tem preço.

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