Para Miron e Mareu.
Confesso sem pudor: carrego uma
pequena inveja desses músicos que se espalham pelas noites, iluminando bares,
cabarés e esquinas com aquilo que lhes transborda da alma. Eles são, muitas
vezes, os responsáveis por minhas desilusões — e por minhas esperanças. Há dons
que Deus distribui com generosidade seletiva, e isso sempre me inquietou.
Talvez eu ainda precise aprender que cada pessoa nasce com uma missão, e que
algumas delas vêm embaladas em acordes.
A música — a verdadeira — é
divina. É alívio, é companhia, é aquela mão invisível que ajeita o coração
quando ele insiste em desandar.
Tenho amigos músicos, e muitos
outros que cruzei pelos bares da vida. Cada um com seu estilo, sua poesia, sua
performance e suas habilidades. Tenho até um filho dotado desse poder de
encantar com sua musicalidade e a desenvoltura ao dedilhar um violão.
Mas, nesse vasto universo que é a
arte musical, quero falar de um amigo em especial. Não dos mais chegados, como
se diz, mas parte da minha juventude. Andávamos por trilhas diferentes, mas a
sensibilidade que direciona todo músico nos brindou com o refrão:
"Por
isso estou aqui
E vou ficar junto contigo..." (1)
É por isso que
escrevo: para agradecer a todos que embalam minhas ilusões e desilusões, que
despertam sentimentos guardados e que acompanham minha caminhada.
(1) Estrofe da música “Ombro Amigo”,
Mhareu e Mirom. Letra: Flávio Mattes.
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