O Gre‑Nal não perde intensidade por falta de vontade. Perde porque o
desempenho dos dois times anda tão irregular com
as mudanças dos projetos das direções; se é que existe, cada ano troca técnico, filosofia, contratações,
discurso… nada amadurece.
Os elencos são montados por
urgência, não por ideia — jogadores chegam para “tapar buraco”, mas o buraco
continua lá, firme, resiliente, quase heróico. A política interna é tão
presente que às vezes parece que o clube joga com doze: onze em campo e um
conselheiro soprando no cangote.
O torcedor olha e não sabe se o
time tenta atacar, defender ou apenas cumprir tabela. E a base, coitada, virou
quase lenda: todo mundo diz que existe, mas ninguém vê.
Com esse cenário, o clássico
sofre. Porque Grenal é termômetro — e ultimamente anda marcando febre baixa.
Quando os clubes estão fortes, o jogo explode, vira caos, vira ópera, vira
guerra santa. Quando estão fracos, o Grenal murcha, desce a ladeira, vira
aquele balão esquecido no canto da festa infantil, que ninguém joga fora, mas
também ninguém tem coragem de encher de novo.
E aí o torcedor, sempre ele,
tenta inflar o que sobrou. Vibra com lateral, celebra dividida, comemora cartão
amarelo. É quase heroico, quase trágico, quase cômico. Porque no fim das
contas, mesmo quando o jogo murcha, o torcedor sopra. Sopra com fé, com teimosia,
com aquela esperança de que um dia o clássico volte a encher sozinho, sem
precisar de ventilação artificial.
Comentários
Postar um comentário
Agradeço sinceramente pela sua leitura e pela presença neste espaço. Sua participação enriquece o diálogo e contribui para a construção de reflexões mais amplas. Seja sempre bem-vindo.