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Carne Fake

 

 

Hoje fui surpreendido por uma notícia que, embora bombástica, já não deveria causar espanto em tempos de evolução acelerada. Cientistas afirmam, com toda a segurança possível, que técnicas laboratoriais permitirão produzir carne a partir de proteína animal — sem abate, sem sangue, sem o ritual milenar que sempre acompanhou nossa alimentação.

Sob o ponto de vista ético, há quem comemore. Para defensores da vida animal, é quase um alívio: enfim, carne sem morte. Mas o que me inquieta não é o fim do abate, e sim o começo de outra coisa. Como esse produto será introduzido no nosso cardápio diário? Que segurança teremos ao consumir alimentos processados em laboratório? Serão realmente saudáveis — mais saudáveis até do que os tradicionais?

A verdade é que já convivemos há muito tempo com alimentos de origem duvidosa. Chocolate “sabor cacau”, leite que não é leite, embutidos que são uma mistura indecifrável de carnes e outros suprimentos. Pagamos caro por isso, muitas vezes sem saber exatamente o que estamos levando para dentro do corpo. Ao escrever sobre isso, sei que piso em terreno delicado, mas refletir sobre o que consumo é meu direito como cidadão.

A evolução tecnológica é irreversível. O desenvolvimento humano alcançou um patamar único, unindo mundos físico, digital e biológico numa velocidade que não permite pausa. Porém, na minha visão leiga, tudo isso me assusta. Não por rejeição ao novo, mas pelo desconforto de perceber que não compreendo totalmente como essas mudanças estão moldando nossa existência. Não sou cético — apenas temeroso.

Temo não a tecnologia em si, mas o uso que dela se faz. Temo que, na pressa de avançar, esqueçamos de perguntar o essencial: o que estamos colocando no prato, no corpo, na vida?

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