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Chorar Sobre o Leite Derramado

 

 

Hoje me veio à memória um dito popular que sem nenhuma razão filosófica, resolvi misturar com um assunto que vive aparecendo nos noticiários. Coisas da idade: a gente começa lembrando do leite derramado e termina falando de transporte público.

Lembro bem daquela época. Era o ano de 1976, quando o vereador Sadi Schwerdt, icônico lateral-esquerdo do Sport Club Internacional, foi o autor do projeto da lei dos táxis-lotação.

Mas o que quero deixar registrado, de certa forma, tem a ver com o ditado: "Não adianta chorar sobre o leite derramado".

A junção desses dois fatos me remete aos dias atuais. Apesar de já ter passado meio século, as modernidades disponibilizam meios de transporte em abundância. Os carros tornaram-se comuns em grande parte das famílias, desde as mais humildes, para as quais os veículos são ferramentas de trabalho, até as mais aquinhoadas, que os utilizam para deleite próprio e demonstração de status.

Com a evolução, novas formas de locomoção foram surgindo. Ao mesmo tempo, mudanças nas relações de trabalho tornaram obsoletas muitas práticas que, em décadas passadas, eram indispensáveis. O transporte coletivo, tão essencial, hoje transporta apenas um número reduzido de passageiros.

E como esquecer da velha Kombi? Quando surgiu, despertou curiosidade por onde passava. Eu a utilizei algumas vezes. Era uma experiência única. O espaço interno era tão compacto que os passageiros terminavam a viagem sabendo o nome, a profissão e até os problemas de joelho uns dos outros.

Nos dias de hoje, pouco se vê desse tipo de transporte pela cidade. Diante disso, fica uma pergunta: com tantas facilidades de deslocamento, será que estamos realmente mais móveis ou, paradoxalmente, estamos nos tornando cada vez mais imobilizados?

O ditado sugere que não vale a pena cultivar nostalgia excessiva pelos antigos sistemas de transporte nem lamentar as transformações trazidas pelo progresso. As mudanças aconteceram, para o bem e para o mal. Cabe à sociedade compreender a nova realidade e encontrar soluções para os desafios atuais, em vez de ficar apenas recordando um passado que não volta.

No fim das contas, talvez o progresso seja isso mesmo: saímos do aperto da Kombi para o aperto do trânsito.

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