O ego é um daqueles habitantes
silenciosos da nossa mente: não paga aluguel, mas ocupa espaço; não faz
barulho, mas interfere em tudo. Na psicologia, dizem que ele é o mediador — o
ponto de equilíbrio entre nossos desejos internos, as regras da sociedade e a
realidade que insiste em nos lembrar que o mundo não gira ao nosso redor. É ele
que nos dá a noção de identidade, personalidade, esse “eu” que carregamos como
assinatura.
Eu sei que estou mexendo numa
área da qual não sou especialista. Mas, como indivíduo disponível para ser
analisado, me permito observar esse personagem que vive dentro de mim — e
dentro de todos nós. No meu ambiente familiar, há quem entenda disso com mais
propriedade; ainda assim, arrisco minhas próprias conclusões.
O ego, esse substantivo masculino
tão pequeno na gramática e tão enorme na vida, muitas vezes atropela nosso
destino. Faz isso por arrogância, por orgulho excessivo, por aquela mania de
controle que nos prende mais do que nos protege. Outras vezes, curiosamente,
ele nos oferece antídotos inesperados: empatia, humildade, a capacidade de
reconhecer que não somos o centro do universo.
Nas minhas andanças profissionais
e nos grupos de amigos, sempre encontro pessoas que transitam entre esses dois
lados do ego. É quase um vaivém constante: ora o ego se agiganta, ora se
recolhe. E não são poucas as vezes em que esse “eu” cria verdadeiras saias
justas — nos posicionamentos, nos debates, nas situações corriqueiras do
dia a dia. Basta um comentário atravessado, uma interpretação torta, um
silêncio mal colocado, e lá está ele, inflamado, pronto para transformar o
trivial em tempestade.
Por isso, repito como um lembrete
que serve para mim e para quem quiser ouvir: controle teu ego. Ele não precisa
ser domado como um animal selvagem, mas pode — e deve — ser educado. Porque
quando o ego aprende a caminhar ao nosso lado, e não à nossa frente, a vida
fica mais leve, mais honesta, mais possível.
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