Sempre que viajo, minha agenda
inclui uma visita ao Mercado Público da cidade em que estou. É automático, um
ato espontâneo que me leva a caminhar por entre bancas repletas de cores,
sabores e aromas.
É um deleite para os olhos e para
o olfato. Queijos, embutidos, temperos, carnes; prateleiras e tulhas
transbordam de produtos das mais diversas procedências. Os vendedores, quase
membros da família, abordam a freguesia, cada um oferecendo seu produto como o
de melhor qualidade e o de preço mais acessível.
São os mais variados condimentos:
açafrão, cominho, páprica, pimentas, louro, tomilho. Há também bacalhau, carnes
especiais, farinhas e uma boa erva-mate para o chimarrão, além do vinho verde
português.
Logicamente, como em todo bom
mercado público, existem os bares e restaurantes, com suas comidinhas
regionais. Cada estabelecimento apresenta um cardápio próprio, capaz de
despertar a curiosidade e proporcionar o deleite dos visitantes.
E assim, entre uma viagem e
outra, fui colecionando mercados públicos como quem coleciona boas lembranças.
Há algo de fascinante nesses espaços onde tradição, comércio e convivência
caminham lado a lado. Muitos passaram pelo meu roteiro, mas alguns ficaram
gravados na memória como verdadeiros templos dos sabores e da cultura popular:
o Mercado Municipal de Porto Alegre, nossa referência afetiva; o Ver-o-Peso, em
Belém; o Mercadão de São Paulo; o Mercado Modelo, em Salvador; o Mercado
Adolpho Lisboa, em Manaus; o Mercado Central de Belo Horizonte; o Mercado
Público de Florianópolis; e o Mercado Municipal Antônio Franco, em Aracaju.
Todos esses espaços carregam uma
história que remonta às suas origens. O Mercado Público de Porto Alegre, porém,
ocupa um lugar especial em minhas lembranças. Foi nele que meus pais fizeram
suas compras por muitos anos e é nele que, agora, eu e minha família
continuamos adquirindo os alimentos do dia a dia, os ingredientes para as
festas familiares e os produtos que acompanham as comemorações que marcam
nossas vidas.
Ainda hoje frequento o nosso
Mercado Público, com suas tradicionais bancas e restaurantes. Ali, cada parada
guarda um sabor e uma história. Na famosa Banca 40, a irresistível “Bomba
Royal” continua sendo uma atração à parte. No Gambrinus, o chope gelado
chega à mesa acompanhado dos tradicionais bolinhos de bacalhau. Já o Naval
mantém viva a fama do seu clássico “Bacalhau à Naval”, prato que
atravessa gerações. E a Padaria Copacabana, com seus deliciosos quitutes, segue
encantando clientes antigos e novos. Todos eles fazem parte de uma tradição que
atravessa o tempo e mantém vivo o espírito de convivência, sabor e
pertencimento que só um mercado público é capaz de proporcionar.
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