Foi um encontro casual, desses
que acontecem sem aviso. Uma troca de olhar, um sorriso tímido, e a vida seguiu
seu curso.
Ele ficou extasiado observando a
imagem dela se dissolver na retina. Era a primeira vez que a via, e algo o
desconcertou de imediato, como se uma peça interna tivesse se movido sem
permissão.
Os dias passaram. De vez em
quando, lá estava ela: mesmo olhar, mesmo sorriso, nenhuma palavra. Havia algo
de mágico naquela troca silenciosa, embora ele não imaginasse o tamanho do que
estava por acontecer.
Até que, num dia qualquer, tomado
por uma coragem súbita e um fôlego descompassado, aproximou-se.
— Oi…
A resposta veio instantânea:
— Oi! Qual é teu nome?
Ele, num misto de encantamento e
insegurança, balbuciou:
— Eros.
Ela sorriu, curiosa e irônica:
— Eros?
— Sim. E o seu?
— Afrodite.
A gargalhada ecoou ao redor dos
dois, e assim começou uma amizade que logo se transformou em amor.
Os anos passaram, e aquela
fagulha que explodira em paixão tornou-se fria, quase apagada. Os beijos, antes
sinônimo de prazer, viraram angústia.
Até que, num dia tão comum quanto
o primeiro, ela o fitou com um olhar distante.
Aproximou-se, beijou sua face com
ternura — um último beijo — e nunca mais foram vistos juntos.
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