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Mostrando postagens de setembro 26, 2026

A Marvada Pinga

  Pedro do Burro, como era conhecido na vila, morava à beira do riacho. Para chegar em casa, só havia um caminho: atravessar uma velha pinguela de madeira. Em dias de chuva, a ladeira que levava até ela transformava-se num verdadeiro tobogã de barro. Ficar de pé naquela ribanceira era quase impossível. Mas Pedro conseguia. Lá ia ele, ladeira abaixo, equilibrando-se nos chinelos de tira de couro, presos entre dedos tortos de joanetes e unhas que mais pareciam garras. Ao avistar a ponte, suspensa por cordas castigadas pelo tempo e pelas intempéries, aprumava o olhar, balbuciava palavras incompreensíveis e seguia adiante. Nem sempre dava certo. Às vezes, o chinelo escapava, o pé deslizava e o tombo era inevitável. Mãos e joelhos esfolados, levantava-se resmungando contra a sorte e amaldiçoando o bolicheiro que lhe tinha vendido uma cachaça de péssima qualidade. Nessas horas, apelava para Nossa Senhora do Rosário. A pobre santinha já devia ter esgotado todo o seu estoque de bên...