Ainda menino, por volta dos cinco anos de idade, conheci uma benzedeira de ascendência quilombola. Minha mãe tinha uma fé imensa naquela mulher que, com suas orações e saberes populares, oferecia alívio para as dores do corpo e da alma. Sempre que surgia alguma aflição, era a ela que recorríamos. Lembro-me com nitidez daquela senhora. Os cabelos grisalhos permaneciam escondidos sob um lenço cuidadosamente amarrado. O rosto, marcado pelo tempo e pelas dificuldades da vida, transmitia serenidade. O olhar profundo e expressivo, que parece enxergar além do plano físico. Vestia roupas simples, geralmente estampadas com flores, e carregava consigo medalhas de santos e guias de proteção. O ritual era simples. Sobre a mesa havia quase sempre um copo d'água, uma vela acesa e alguns ramos de arruda ou guiné. Enquanto fazia o sinal da cruz sobre a pessoa atendida, murmurava orações que eu não conseguia compreender. Naquela época, eu não entendia o significado de tudo aquilo. Apenas ...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.