Os antigos tinham a mania de usar metáforas para descrever certos "acontecidos" . Lembro especialmente do meu pai, “Seu Alcides”, quando narrava suas histórias do tempo de rapaz. Dizia ele: "Certa feita, estávamos em um baile lá pelo interior de Amaral Ferrador". Meu pai nasceu em Encruzilhada do Sul." Segundo ele, foi nessa ocasião que Tibúrcio, mestiço de cabelos pretos, barba rala e chapéu quebrado na testa, resolveu se engraçar com uma moça da redondeza. Não era homem de boa índole; por qualquer desajeito, arrumava um rebuliço. Porém, havia um “senão”. A moça era filha do velho Gomercindo, fazendeiro daqueles truculentos, acostumado a impor respeito apenas com o olhar. Gaita vai, gaita vem, Gomercindo resolveu pôr fim àquela parceria. Menina de família não dança com qualquer um. Bastou. Tibúrcio puxou sua faca prateada e riscou o assoalho do salão. Abriu-se um clarão em meio ao baile. Cadeiras tombaram, bebidas se esparramaram pelo tabuão ...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.