Churrasco de costela é coisa sagrada na campanha. Basta um fogo de chão bem atiçado, uma costela no braseiro e meia dúzia de gaudérios em roda para a noite voar mais ligeiro que quero-quero assustado. No galpão, a chaleira chia na "trempe", o amargo corre de mão em mão e a "canha" aparece de vez em quando para espantar o sereno. Num canto, o cusco baio dorme de um olho só, sempre atento a algum naco desgarrado. Sentado num "cepo" de guajuvira, sobre um pelego batido de uso, o peão pica o fumo para o palheiro enquanto o angico crepita no fogo. As brasas alumiam os rostos curtidos de sol e fazem dançar as sombras pelas tábuas do galpão. Entre um mate e um gole de pinga, os "causos" vão crescendo. Um vivente garante que laçou um touro tão grande que levou três dias para encontrar a outra ponta do laço. Outro gaudério, já "entonado" pela canha, jurava ter um cavalo tão ligeiro que montava de manhã e apeava no destino no dia anterior. As g...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.