Cresci num tempo de inocência em que tudo era possível, pois conhecíamos os limites. Brincávamos de Forte Apache. Transformávamos quintais nas vastidões do Velho Oeste, vestidos a caráter, ao melhor estilo John Wayne . Atirávamos em malfeitores, encurralávamos "comanches e apaches" e, por certo, muitas vezes saíamos feridos pelas flechas de "Touro Sentado". Morríamos muitas vezes. Ressuscitávamos sempre. Éramos crianças simplórias, portando nossos revólveres "Estrela", cujo calibre disparava sonhos. Nenhum tiro derrubava homens; atingia apenas fantasias. Vivíamos da ilusão consentida de sermos Roy Rogers, Bat Masterson, Gene Autry e tantos outros. As armas reluzentes que eu portava no cinturão, decorado com franjas de couro, tinham o tambor rotativo onde inseríamos rolinhos de “espoletas”, pequenas centelhas de felicidade embrulhadas em papel vermelho. A cada disparo, o ar ficava impregnado pelo cheiro de pólvora queimada. Então eu saía em def...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.