Para Trajano Ibarra Gusmão Os anos haviam passado como marés silenciosas, levando consigo quase tudo. Agora, ele era um velho de mãos marcadas pelo tempo e de olhar gasto pelas distâncias percorridas. Do passado, restavam apenas fragmentos dispersos. Sentado em sua cadeira de palha na varanda da casa de praia, contemplava o horizonte com a serenidade de quem já não tinha pressa de chegar a lugar algum. À sua frente, o azul infinito do mar confundia-se com o céu, enquanto a espuma branca das ondas beijava a areia morna em movimentos eternos e repetidos. Mais ao longe, gaivotas cortavam o vento em círculos inquietos. Seus gritos ásperos pairavam sobre a praia enquanto observavam os pescadores que retornavam lentamente em seus barcos. Foi então que algo despertou dentro dele. Não uma lembrança completa. Apenas um lampejo. Um rosto. Tentou agarrar aquela memória antes que ela escapasse. Mas a memória tem vontade própria. Quanto mais se tenta capturá-la, mai...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.