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Mostrando postagens de setembro 28, 2026

A Lembrança

  Para Trajano Ibarra Gusmão   Os anos haviam passado como marés silenciosas, levando consigo quase tudo. Agora, ele era um velho de mãos marcadas pelo tempo e de olhar gasto pelas distâncias percorridas. Do passado, restavam apenas fragmentos dispersos. Sentado em sua cadeira de palha na varanda da casa de praia, contemplava o horizonte com a serenidade de quem já não tinha pressa de chegar a lugar algum. À sua frente, o azul infinito do mar confundia-se com o céu, enquanto a espuma branca das ondas beijava a areia morna em movimentos eternos e repetidos. Mais ao longe, gaivotas cortavam o vento em círculos inquietos. Seus gritos ásperos pairavam sobre a praia enquanto observavam os pescadores que retornavam lentamente em seus barcos. Foi então que algo despertou dentro dele. Não uma lembrança completa. Apenas um lampejo. Um rosto. Tentou agarrar aquela memória antes que ela escapasse. Mas a memória tem vontade própria. Quanto mais se tenta capturá-la, mai...