Não sei se é a velhice que me torna mais sensível ou se são as mudanças repentinas de rumo que a vida insiste em impor. Já escrevi mais de uma vez que sinto uma inveja desmedida desses músicos que tocam pelos bares. Nunca consegui arrancar sonoridade de instrumento algum, a não ser a batida seca e descompassada de um martelo, entortando os pregos da vida. Hoje, aqui diante do teclado, ouço o pontilhado de uma viola. É a execução primorosa de um músico a quem Deus concedeu o dom de encantar, com sua sonoridade, os ouvidos de qualquer alma sensível. Enquanto escuto as milongas, viajo em pensamentos. Pelo teclado, percorro caminhos da memória e repenso tantas coisas do cotidiano. As imagens vão surgindo lentamente, uma após outra, como cenas de um filme antigo. Então me pergunto: por que o mundo é assim? As milongas seguem seu rumo, a tarde envelhece na janela e a vida passa sem pedir licença. E eu, entre lembranças, dúvidas e silêncios, continuo aqui, escrevendo sempre a mesma história...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.