Na infância, quando a primavera chegava, uma das brincadeiras que mais nos encantava era caçar borboletas. Nas tardes ensolaradas, pelo jardim de casa, entre gerânios, rosas e margaridas, elas dançavam no ar com uma liberdade que só hoje compreendo. Passeavam de flor em flor, como se bordassem caminhos invisíveis sobre os canteiros. Às vezes surgia apenas uma; outras, um verdadeiro “panapaná” (1) colorido tomava conta do jardim. Havia borboletas amarelas, vermelhas, verdes e pretas. Mas existia uma que despertava nossa fascinação: uma rara borboleta de azul cintilante que parecia carregar um pedaço do céu nas asas. Justamente por ser a mais bela, era também a mais perseguida. Na inocência daqueles dias, não entendíamos que aqueles frágeis seres estavam apenas cumprindo o curso natural da vida. Ignorávamos a longa jornada que começa no ovo, passa pela lagarta e pela crisálida, até florescer na forma perfeita da borboleta. Armados com nossos “puçás” (2) , seguíamo...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.