A xícara de café repousava sobre a mesa. Embaixo dela, uma toalha de tecido áspero exibia manchas de tantas refeições passadas. O aroma forte do café misturava-se ao cheiro de lenha, fumo e tempo. Os farelos de pão espalhados pela mesa desenhavam estranhas figuras, dependendo da imaginação de quem olhasse. Ao lado, o cinzeiro de vidro acumulava bitucas como troféus havia décadas. Sentado num banco de madeira gasto pelos anos, Honório dormia o sono dos justos, dos que juravam estar apenas "descansando os olhos". A cabeça pendia perigosamente para um lado, os braços estavam largados, e de sua boca entreaberta escorria um fio de baba que desafiava a gravidade. Aos seus pés, o cusco Pitoco acompanhava tudo, lambendo o assoalho de tábuas. Para o cachorro, aquela baba representava um café da manhã inesperado. No canto da peça, iluminado pela luz alaranjada do fogão a lenha, o cenário parecia uma exposição de relíquias familiares. Na parede enfumaçada repousava uma fotog...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.