Vivia gargalhando pelas calçadas da cidade. Era uma figura alta, de corpo esguio, mãos compridas e dedos que pareciam ter sido desenhados para assustar crianças. Vestia-se sempre de preto e exibia uma cartola. Não era pedinte. Sobrevivia dos pequenos favores oferecidos pelos comerciantes do mercado, talvez por generosidade, talvez por prudência. Afinal, nunca se sabe quando uma criatura daquelas pode guardar rancor. Para quem a via pela primeira vez, a impressão não era das mais acolhedoras. As crianças ao vê-la, simplesmente choravam e se escondiam atrás das mães. Em resposta a tão calorosa recepção, uma gargalhada metálica ecoava pela rua, como se aquilo fosse exatamente o efeito desejado. O rosto permanecia oculto sob uma máscara verde brilhante, adornada com chifres, dentes salientes, nariz exagerado e orelhas pontiagudas. Os moradores mais antigos juravam nunca ter visto o verdadeiro rosto por trás daquela fantasia. Dormia em bancos de praça sem ser incomodada porque nin...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.