Os antigos tinham a mania de usar
metáforas para descrever certos "acontecidos". Lembro
especialmente do meu pai, “Seu Alcides”, quando narrava suas histórias do tempo
de rapaz.
Dizia ele:
"Certa feita, estávamos em
um baile lá pelo interior de Amaral Ferrador". Meu pai nasceu em
Encruzilhada do Sul." Segundo ele, foi nessa ocasião que Tibúrcio, mestiço
de cabelos pretos, barba rala e chapéu quebrado na testa, resolveu se engraçar
com uma moça da redondeza. Não era homem de boa índole; por qualquer desajeito,
arrumava um rebuliço.
Porém, havia um “senão”.
A moça era filha do velho
Gomercindo, fazendeiro daqueles truculentos, acostumado a impor respeito apenas
com o olhar.
Gaita vai, gaita vem, Gomercindo
resolveu pôr fim àquela parceria. Menina de família não dança com qualquer um.
Bastou.
Tibúrcio puxou sua faca prateada
e riscou o assoalho do salão. Abriu-se um clarão em meio ao baile. Cadeiras
tombaram, bebidas se esparramaram pelo tabuão e o alvoroço tomou conta da
festa.
Mas não houve tempo para a
contenda.
Num diz que me diz, os dois foram
apartados, e a tal peleia não passou das ameaças. Quando todos esperavam o
desfecho da confusão, ela já havia terminado.
Foi então que meu pai se saiu com
uma de suas pérolas:
"Isso foi mais rápido do que
pegar avestruz de tamanco, ladeira abaixo!"
A gargalhada foi geral.
E assim terminou a história: sem
briga, sem heróis e sem vencedores. Apenas com Tibúrcio, sozinho na soleira da
porta, olhando para o nada.
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