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A Máscara


Vivia gargalhando pelas calçadas da cidade. Era uma figura alta, de corpo esguio, mãos compridas e dedos que pareciam ter sido desenhados para assustar crianças. Vestia-se sempre de preto e exibia uma cartola.

Não era pedinte. Sobrevivia dos pequenos favores oferecidos pelos comerciantes do mercado, talvez por generosidade, talvez por prudência. Afinal, nunca se sabe quando uma criatura daquelas pode guardar rancor.

Para quem a via pela primeira vez, a impressão não era das mais acolhedoras. As crianças ao vê-la, simplesmente choravam e se escondiam atrás das mães. Em resposta a tão calorosa recepção, uma gargalhada metálica ecoava pela rua, como se aquilo fosse exatamente o efeito desejado.

O rosto permanecia oculto sob uma máscara verde brilhante, adornada com chifres, dentes salientes, nariz exagerado e orelhas pontiagudas.

Os moradores mais antigos juravam nunca ter visto o verdadeiro rosto por trás daquela fantasia. Dormia em bancos de praça sem ser incomodada porque ninguém demonstrava grande disposição para descobrir o que havia por trás da máscara.

Como toda cidade que se preza, a imaginação popular tratou de preencher as lacunas. Diziam que a figura vinha de outro mundo, lia pensamentos e tinha o estranho poder de transformar desejos em realidade. Poucos acreditavam na história. Quase ninguém, na verdade. Ainda assim, curiosamente, ninguém parecia interessado em testar a teoria.

Ninguém sabia seu nome, idade ou sexo: era conhecida apenas como “A Máscara”. Para uns, era uma criatura sobrenatural; para outros, alguém que perdera o juízo. Como sempre, faltavam provas, mas sobravam certezas na cidade.

Enquanto isso, “A Máscara” seguia caminhando pelas ruas, distribuindo gargalhadas e alimentando lendas. Talvez possuísse mesmo o poder de ler pensamentos. Explicaria muita coisa.

No fim, a única coisa verdadeiramente assustadora talvez não fosse a máscara, mas a imaginação de quem a observava.

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