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Freeway

 

 

Inaugurada em 1973, a Freeway continua moderna. Tão moderna que o asfalto parece estar permanentemente em atualização. Por ela pilotei meu Chevette 77, que, para a época, era uma verdadeira máquina, no melhor estilo James Dean. Também foi por ela que acompanhei a evolução tecnológica dos veículos, da era dos combustíveis fósseis aos carros elétricos.

E foi justamente numa viagem de retorno do litoral, em um trajeto fatiado por praças de pedágio que seguem agredindo o bolso do usuário, que o moderno automóvel que hoje dirijo, nada semelhante àquele velho Chevette, enfrentou a dureza de um asfalto em constante reforma de si mesmo.

Há remendo sobre remendo. Alguns são discretos. Outros surgem de surpresa, fazendo o motorista conferir se perdeu uma roda ou apenas alguns anos de expectativa de vida.

Tudo isso ocorre em terras gaúchas, onde os pedágios figuram entre os mais caros do país. E a Rodovia Oswaldo Aranha, cujo ilustre personagem certamente não merece ver seu legado empobrecido pela associação com uma estrada nessa condição, continua ali, serpenteando até as margens do Mampituba e seguindo Brasil afora.

E assim sigo viagem, entre a nostalgia do velho Chevette e a modernidade dos veículos atuais, carregando uma dúvida que insiste em permanecer no retrovisor:

Será que estamos avançando para o futuro ou, discretamente, pegando o retorno para os tempos da velha RS-030?

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