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O Santo Glúteo e o Demônio Glúten


Sempre achei muito interessante a sonoridade dessas duas palavras. Parecem irmãs gêmeas na pronúncia, mas, enquanto uma é odiada por quem faz dieta, a outra é o grande objetivo de quem frequenta a academia.

A confusão entre o terror das padarias e o orgulho das calças jeans transforma a vida de qualquer pessoa em um verdadeiro festival de situações humorísticas.

Eu, particularmente, sempre me confundo ao utilizar essas palavras, talvez porque minha fala nem sempre seja tão clara. Tenho o hábito de falar rápido demais, e isso acaba confundindo quem escuta. Não que sejamos todos surdos, mas, sabe como é, o envelhecimento tem dessas coisas, em que cada conversa parece uma transmissão de rádio à válvula.

Tudo vai ficando mais distante. Para enxergar o glúteo alheio, já é necessário um verdadeiro exercício que nem a yoga resolve. Ouvir, então, é outra história. É como a piada da velha da praça:

— O quê? Tua mãe tá na praça?

No fim, glúten e glúteo representam perfeitamente a sociedade moderna: metade das pessoas fugindo desesperadamente de um, e a outra metade perseguindo obsessivamente o outro.

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