Andamos carentes de ideias
originais, úteis e relevantes. Eu, que nasci há muitas décadas e testemunhei
mudanças radicais na sociedade, espanto-me com esse vazio cultural que parece
se alastrar por todos os cantos.
Especialmente na música, faz
alguns anos que não vejo algo que possa ser chamado de verdadeiramente original
e criativo. Na literatura, de tempos em tempos ainda surgem bons escritores.
Talvez não apareçam novos “Balzacs ou Ernest Hemingways”, mas há vozes
interessantes refletindo sobre a sociedade do presente e os desafios do futuro.
Em nosso país, contudo, educação
e cultura parecem caminhar de mãos dadas em direção ao abismo. Por isso, quando
surge alguma mente pensante que se destaca da multidão de zumbis digitais, é
motivo de comemoração.
Estamos nos transformando em
máquinas de repetição em massa, esvaziadas de criatividade. Repetimos até a
exaustão aquilo que nos é apresentado, divulgado e vendido como tendência. A
figura do influenciador, hoje, tornou-se quase uma instituição acadêmica da
cultura de consumo. Basta alguém anunciar nas redes sociais que o morango
plastificado é a nova sensação do momento para que milhares corram atrás da
novidade, consumindo sem refletir e compartilhando sem questionar.
O mais curioso é que nunca
tivemos acesso a tanta informação. Nunca foi tão fácil ler, pesquisar, aprender
e conhecer diferentes culturas. Ainda assim, escolhemos frequentemente o
caminho mais confortável: o da repetição. Pensar exige esforço. Criar exige
coragem. Seguir a multidão exige apenas um clique.
A criatividade não nasce do
consenso. Ela surge da dúvida, da observação, da discordância e da capacidade
de enxergar o mundo por uma perspectiva própria. Sem isso, continuaremos
produzindo cópias de cópias, ecos de ecos, enquanto a originalidade se torna
uma espécie em extinção.
Por favor, vamos ser criativos!
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