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Chá de Mastruço


A herança do conhecimento medicinal baseia-se na transmissão oral de saberes sobre plantas, raízes e práticas de cura entre gerações.

Os mais velhos, nossos pais e avós, possuíam um vasto conhecimento sobre ervas e remédios caseiros que, nos dias de hoje, talvez levassem qualquer curandeira a responder perante a lei. Eram saberes adquiridos pela observação, pela experiência e pela necessidade, passados de boca em boca ao longo dos anos.

Foram muitos os chás que consumi na infância, cada qual com suas supostas propriedades terapêuticas. Havia emplastros de ervas maceradas, líquidos, xaropes e infusões de toda sorte, todos cercados pela crença em seus poderes curativos.

Mas houve um remédio caseiro que consumi além da conta: mastruço com leite.

Era a receita predileta para aliviar os sintomas das gripes, dos resfriados, da bronquite e da tosse com catarro. Bastava surgir o primeiro espirro para que alguém colocasse a mistura no fogo. O aroma era inconfundível; o sabor, nem tanto. Ainda assim, tomávamos, porque a palavra dos mais velhos tinha peso de diagnóstico.

Hoje, existe até uma banda de forró chamada “Mastruz com Leite”, levando o nome da antiga receita para muito além dos quintais e cozinhas do interior.

Mas o que desejo destacar aqui é que a sabedoria popular herdada de nossos antepassados, especialmente dos povos indígenas, das comunidades quilombolas e das populações rurais, continua viva. Mesmo diante dos avanços da ciência e da medicina moderna, muitos desses conhecimentos permanecem como práticas complementares de cuidado, preservando uma rica tradição cultural que resiste ao tempo.

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