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O Gol Que Não Foi Meu

 

Olhando pela tela da memória, ainda vejo a cena como uma velha fotografia em preto e branco. O ginásio da SABI estava lotado, as torcidas cantavam e, na quadra, disputava-se uma partida daquelas em que perder significava voltar para casa.

O jogo terminou empatado e a decisão foi para os pênaltis. Na época, um único jogador fazia toda a série de cobranças. Por algum motivo que até hoje não entendo, fui o escolhido.

As cobranças seguiram equilibradas até a última. Se eu marcasse, estaríamos classificados. Caminhei até a bola com as pernas pesadas e o coração disparado. Chutei com toda a força e vi a bola explodir no goleiro adversário.

Fim da história.

Ou assim pensei.

O árbitro apitou. O goleiro havia se adiantado. Depois de algumas discussões e muitos protestos, a irregularidade foi confirmada. O pênalti teria de ser repetido.

Confesso que não lembro de ter visto a infração.

Recoloquei a bola na marca fatal. Sem pensar em técnica ou estratégia, apenas chutei. Desta vez, a rede balançou e o ginásio veio abaixo em comemoração.

Mas, passados tantos anos, carrego uma convicção inabalável sobre aquele lance histórico.

Todos dizem que fui o herói daquela classificação.

Eu discordo.

Naquele dia, eu errei o pênalti.

Quem fez o gol foi o juiz.

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