Não sou adepto da pescaria, pois
não possuo habilidade nem, tampouco, paciência para iscar anzóis, muito menos
para molhar minhocas. A prática da pesca nunca foi minha especialidade. Juro
que até tentei, mas não consegui.
A máxima popular "está
nervoso, vá pescar" não faz efeito para mim. Antes, pelo contrário, me
estressa ainda mais. Nas poucas vezes em que acompanhei algum pescador de
ofício, passei vexame: enfiei anzóis nos dedos, enrosquei linhas nos arbustos e
perdi minhas iscas para lambaris de açude. Um verdadeiro fracasso.
Mas, para que minhas peripécias
aquáticas não passem em brancas nuvens, preciso confessar que, na infância,
isso não conta muito, eu pescava na sanga lá da fazenda. Até que o pior
aconteceu.
Fisguei um dos grandões. Foi uma
luta de Davi contra Golias. Ao final, abandonei tudo: caniço, iscas e alguns
peixinhos de açude. Na ponta do caniço de taquara estava fisgado um muçum. Eu
não tinha a menor ideia do que se tratava. Debandei em retirada de maneira
estratégica e deixei tudo para trás no barranco da sanga.
Hoje torço pelo peixe, apesar de
adorar uma boa fritada. Talvez aquele muçum tenha sido meu primeiro e último
grande troféu de pescador. Não pela coragem nem pela habilidade, mas pela
velocidade da fuga. Desde então, concluí que existem pescadores e existem
espectadores. Eu me encaixo melhor na segunda categoria.
Gosto de acompanhar a conversa,
ouvir causos de peixes gigantes que sempre escapam. Quanto a segurar o caniço,
deixo essa tarefa para os entendidos.
Comentários
Postar um comentário
Agradeço sinceramente pela sua leitura e pela presença neste espaço. Sua participação enriquece o diálogo e contribui para a construção de reflexões mais amplas. Seja sempre bem-vindo.