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Quebra-Queixo


Na década de 1960, foi a alegria da gurizada e uma importante fonte de renda para os dentistas. Bastava uma mordida mais entusiasmada e lá se ia um dente, uma obturação ou parte da autoestima. Ainda assim, ninguém desistia. Pelo contrário: quanto mais perigosa a bala parecia, mais fascinante ela se tornava.

Naquela época, o quebra-queixo era barato, cabia no orçamento da criançada e podia ser encontrado em qualquer quitanda. Nas matinês de domingo, marcava presença no tabuleiro do baleiro, aquele da cesta de vime que encantava crianças e adultos com sua miscelânea de cores e sabores.

A diversão começava quando aquela pedra doce resistia bravamente às primeiras investidas da mordida. Depois de longos minutos de mastigação, finalmente se transformava num puxa-puxa macio. Era uma espécie de duelo entre a bala e a mandíbula.

Hoje, certamente enfrentaria uma dura sabatina de nutricionistas, cardiologistas, endocrinologistas e, provavelmente, até de algum influenciador fitness. Seria acusada de excesso de açúcar, atentado contra a saúde bucal e conspiração contra dietas. Naquela época, porém, sua única preocupação era grudar nos dentes e desafiar as mordidas infantis.

Nem mesmo os avanços da odontologia conseguiram absolver o velho quebra-queixo. Continuou sendo um adversário temido dos dentes, causador de cáries e de muitas visitas ao consultório. Talvez por isso os dentistas guardem dele lembranças tão carinhosas quanto as nossas.

Apesar disso, aqueles tempos foram especiais, quando os bolsos das calças estavam sempre repletos de pequenos prazeres comestíveis feitos de açúcar. O doce talvez tenha desaparecido de muitas prateleiras, mas continua intacto na memória de quem viveu aquele tempo em que a felicidade cabia no bolso, custava poucas moedas e parecia durar para sempre.

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